Há uma tina d´água perto de casa por onde passo todos os dias no caminho do trabalho. Uma vez, vi um menino brincando com um cachorro que ele havia mergulhado na tina. O cão não sabia nadar e ficava a maior parte do tempo submerso, debatendo-se desesperadamente na vã tentativa de voltar à tona. Finalmente, após encostar a pata no fundo da tina, de alguma forma ele conseguia voltar à superfície, latindo como um louco e gorgolejando a água que saía em pequenas tossidas. No entanto, tão logo sorvia aquele grama de ar tão ansiado, ele voltava lentamente a afundar, incapaz de manter a cabeça fora por muito tempo. O menino, com os braços cruzados, assistia a tudo com atenção e tranquilidade impecáveis.
Nós somos como aquele menino e seu cachorro, sabe. O tempo todo, eu nado desesperadamente para cima, esperando uma palavra sua, um gesto apaixonado, ou talvez um simples abraço de consolo. Mas você é o menino: você nada faz. Não sei se aprecia me ver nessa situação ou se sente piedade por eu não conseguir resolver o problema sozinho, mas é assim que as coisas são.
Pra falar a verdade, talvez eu até saiba como sair da tina sozinho, mas esteja tão nervoso e tão necessitado que precise de alguém para me mostrar o caminho. Acaso eu parasse alguns segundos e refletisse sobre a situação, estou certo de que eu conseguiria pensar na melhor maneira de sair. Mas sou um homem, e, como tal, prefiro aqueles breves momentos de saciedade e chafurdar na angústia em seguida a pensar sobre minha condição e achar a saída.
Sei que posso fazer tudo sozinho, mas em algum momento enfiei na cabeça a idéia de que preciso de você. Gozado, né?
Nós somos como aquele menino e seu cachorro, sabe. O tempo todo, eu nado desesperadamente para cima, esperando uma palavra sua, um gesto apaixonado, ou talvez um simples abraço de consolo. Mas você é o menino: você nada faz. Não sei se aprecia me ver nessa situação ou se sente piedade por eu não conseguir resolver o problema sozinho, mas é assim que as coisas são.
Pra falar a verdade, talvez eu até saiba como sair da tina sozinho, mas esteja tão nervoso e tão necessitado que precise de alguém para me mostrar o caminho. Acaso eu parasse alguns segundos e refletisse sobre a situação, estou certo de que eu conseguiria pensar na melhor maneira de sair. Mas sou um homem, e, como tal, prefiro aqueles breves momentos de saciedade e chafurdar na angústia em seguida a pensar sobre minha condição e achar a saída.
Sei que posso fazer tudo sozinho, mas em algum momento enfiei na cabeça a idéia de que preciso de você. Gozado, né?
Você é o menino, e, como tal, possui poder de vida ou morte sobre mim: poderia me tirar da tina ou me afogar de vez, mas não faz nem uma coisa nem outra. Prefere ser testemunha de meu próprio fracasso, dos problemas que eu mesmo inventei.
Talvez não se importe a mínima com o papel de redentora ou assassina. Apenas fica aí parada, acompanhando minha lenta descida ao abismo, seguida de breve ascensão para uma nova decadência e assim por diante. Assim seguimos, todos os dias, em silêncio, sem que um reclame do outro, sem que nossos olhares demonstrem alguma coisa além de uma profunda decepção mútua.
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